31 OUT 2017
Setembro Colorido: NÃO à Intolerância Religiosa!


Com a palavra, nossa reporte júnior, Rafaela Capitão da Silva!

Após visitarmos uma sinagoga, um centro espírita e uma Igreja Católica no decorrer deste mês, concluímos nossas visitas nesta última Quarta-Feira (27/09), saindo do Monteiro Lobato às 9h rumo ao município Três Coroas, onde está localizado o Templo Budista Chagdud Gonpa Brasil. Para registrar cada momento, tiramos muitas fotografias e entrevistamos uma residente do Templo, que nos explicou um pouco da rotina por lá e dos princípios budistas. Vamos conferir?

Chegamos a Três Coroas por volta das 11h. Como o templo só abriria às 14h para visitação, fomos conhecer uma parte da cidade. Optamos por descansar na Praça Affonso Sul, localizada bem ao centro, onde há pequenos estabelecimentos comerciais alimentícios e a biblioteca municipal. Os alunos do Monteiro Lobato, Andresito Campos, Giulia Oliveira e Vitória Figueiró relataram gostar muito do local, por ser limpo, bem cuidado e sem indícios de vandalismo.

Posteriormente, famintos, nos dirigimos ao restaurante Trigu’s, onde fomos muito bem recebidos e acomodados. Nosso almoço foi recheado de risadas, piadas, brincadeiras e, claro, MUITA comida!

            Às 13h30 já estávamos em frente ao Templo. Quem chega ao portão não imagina a beleza das esculturas, das paisagens e dos locais lá estabelecidos. Tudo em Chagdud Gonpa parece feito à mão. Quando nos deparamos com tudo aquilo, sentimos como se estivéssemos realmente no Oriente, pelo capricho de cada obra, pelas cores vibrantes, pela natureza bem conservada e, principalmente: pela calmaria do lugar.

            É extremamente lindo conhecer a cultura budista bem de pertinho pelo cuidado que eles prezam por todos os seres vivos. No chão, há placas escritas “NÃO PISE NAS FORMIGAS”, localizadas nas trilhas onde os insetos caminham. Ao entrarmos no Templo, fomos dirigidos a uma pequena sala para assistir o vídeo abaixo, protagonizado pela atriz Lucélia Santos, que explica sobre o Budismo, o significado de cada monumento e a fé budista.

            O templo principal está em reforma, entretanto, há outras mil maravilhas para apreciarmos neste lugar. Nós estudantes visitamos a loja de artigos budistas. É com a renda dela e com a doação dos visitantes que o templo se sustenta. Aproveitamos também para tirar fotografias nas paisagens magníficas que enfeitam o local.

            Eu, acompanhada de minha colega Giulia Oliveira, fui apreciar as incríveis rodas de oração. São enormes cilindros vermelhos onde estão escritos mantras. Eles giram em sentido horário, continuamente, espalhando bênçãos para a região e para quem se conecta com eles. Eu e Giulia permanecemos ali, paradas, acompanhando o girar e o bater dos sinos, sentindo uma vibração inacreditável. Só quem vai, sabe do que estamos falando.

            Para finalizarmos a visita, nos dirigimos ao museu, onde encontramos a residente Dirce, que esclareceu nossas dúvidas com muita paciência e tranquilidade. Confira a entrevista:

            Rafa Capitão: Há certo tempo limite para viver aqui, ou alguma proibição de sair do local em alguma época do ano?

            Dirce: Não, nunca. Estou aqui há 13 anos. Aqui você está livre para ir onde quiser, e ficar quanto tempo desejar. Revezamos apenas as datas e horários, pois é preciso que alguém fique aqui para responder questionamentos dos visitantes, apresentar o local e fazer o ritual diário.

            Rafa Capitão: Há um ritual rotineiro? Como é estabelecido?

            Dirce: Sim, totalmente. Nós acendemos as lamparinas, oferecemos a água aos deuses budistas, não apenas em questão de respeito, mas também para agregar princípios como a paciência, a generosidade, a concentração e a ética.

            Rafa Capitão: Aqui residem famílias ou apenas pessoas sozinhas?

            Dirce: Famílias, pessoas sozinhas, homens, mulheres... Só é preciso ser maior de idade.

            Rafa Capitão: Há requisitos para residir aqui?

            Dirce: Sim. Primeiramente, você deve ser budista, pois para morar em um mosteiro católico, você precisa ser católico, certo? (risos) Então, primeiro você deve ver se o budismo é realmente o seu caminho. Depois você vai a algum centro e pratica, participa de retiros para observar se é isso mesmo que você deseja. Posteriormente, você conversa com (a) (o) Lama, que é o nosso professor, nossa mãe celeste. Fazendo a entrevista com ele/ela, Lama verá se será bom para você neste momento ou não. 

            Rafa Capitão: Podemos considerar o templo como um refúgio, para escapar da violência e da correria das grandes cidades?

            Dirce: (risos) Não, não. Refúgio não como fuga, mas como proteção. Você não precisa sair de um lugar tumultuado e perigoso para praticar este refúgio. Pelo contrário, estes lugares lhe desafiam a praticar o bem. Não fugimos de situações, as utilizamos para consumar a mente.

            Rafa Capitão: No budismo, há um Deus supremo?

            Dirce: Não, Buda não deixou muita explicação sobre isso. Existem vários deuses. Quando faziam perguntas desta forma que não nos levará a nada, o Buda era muito prático. Ele falava: “Olha, você está fazendo pergunta igual a uma pessoa que acabou de ser picada por uma cobra e quer saber se tinha uma flor amarela ao lado, ou se o céu estava estrelado... E, tanto faz, afinal, você irá morrer.” Ele era muito prático. As várias perguntas deste nível ele respondia que havia outras coisas para nos preocuparmos. O budismo sempre é a verdade, o que é prático, o que evitar para não sofrer e trazer felicidade. E, principalmente: você levar felicidade ao próximo.

            Para finalizar, agradecemos a Dirce pela atenção e paciência. E recomendamos mil vezes se for preciso: visitem, viajem e se informem sobre tudo que a plenitude do mundo tem há oferecer. Seres humanos bem informados são livres de preconceito e abertos ao amor, ao respeito e à paz.

 

Rafaela Capitão.

 




Receba por email as novidades do complexo educacional Monteiro Lobato